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Você sabia que quando não há acesso adequado aos produtos de higiene menstrual, como absorventes, diversas pesquisas em várias regiões do mundo reportam que meninas e mulheres recorrem a soluções improvisadas para conter o sangramento menstrual? Soluções improvisadas como pedaços de panos usados, roupas velhas, jornal e até miolo de pão. Essa dura realidade afeta especialmente as brasileiras que vivem em condições de pobreza e de extrema vulnerabilidade em contextos rurais e urbanos.

Uma família em maior situação de vulnerabilidade e baixa renda tende a dedicar uma fração menor de seu orçamento para itens de higiene menstrual, uma vez que a prioridade é a alimentação. Levando em conta a estimativa de gasto com absorventes, a organização Girl Up fez o seguinte cálculo: se a renda anual dos 5% mais pobres no Brasil é de R$ 1.920, segundo dados de 2020 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), as mulheres que se encontram nessa faixa de renda precisam trabalhar até quatro anos para custear os absorventes que usarão ao longo da vida.

Dados do estudo “Pobreza Menstrual no Brasil” do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF apontam que a situação de meninas sem acesso a nenhum banheiro (com chuveiro e sanitário) é alarmante: são 713 mil meninas (4,61% do total) sem acesso a banheiros em seus domicílios e 88,7% delas, mais de 632 mil, vivem sem acesso a sequer um banheiro de uso comum no terreno ou propriedade. Cerca de 900 mil meninas brasileiras não têm acesso à água canalizada em seus domicílios e 6,5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto.

A relação da falta de produtos de higiene menstrual e precariedade dos serviços de saneamento básico, como pode-se perceber, é bastante evidente. Mas qual a relação entre falta de absorventes e redução de acesso à educação básica? Muito menos evidente, mas uma situação real e  presente na vida de muitas meninas em idade escolar. Especialmente presente na vida das meninas de famílias mais pobres, em contextos de maior vulnerabilidade social. Explico melhor a seguir.

Considerando as estatísticas, quase 90% das meninas passarão de 3 a 7 anos da sua vida escolar menstruando. Segundo uma estimativa feita pela Organização Mundial da Saúde (ONU), uma em cada 10 meninas, em todo o mundo, já faltou à escola durante a menstruação. Uma das principais razões é a falta de produtos de higiene, como absorventes. No Brasil, a situação ainda é pior. Uma em cada quatro meninas já faltou à escola por não ter condições de comprar absorventes. Destas, 48% tentaram esconder o motivo e outras 45% disseram que o problema impactou negativamente no rendimento escolar.https://c70ef5332206377fa5009418cc7c53f5.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

O estudo “Pobreza Menstrual no Brasil” do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, aponta que mais de 4 milhões de meninas não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. Cerca de 321 mil alunas, 3% do total de meninas brasileiras, estudam em escolas que não possuem banheiro em condições de uso e 1,24 milhão de meninas, 11,6% do total de alunas, não têm à sua disposição papel higiênico nos banheiros das escolas em que estudam. Outras 200 mil alunas estão totalmente privadas de condições mínimas para cuidar da sua menstruação na escola.

Para as meninas que não possuem acesso a absorventes os reflexos são grandes, impactando na confiança e na criação de um ciclo vicioso quando o assunto é espelhado na educação. Elas ficam para trás em trabalhos escolares, faltam às aulas e deixam de participar de atividades que aumentam suas habilidades e confiança, como a prática de esportes.

Analisar dados e evidências – livre de tabus, preconceito ou viés ideológico – é de suma importância para a formulação de políticas públicas que permitam e incentivem a permanência dos estudantes no âmbito escolar. Precisamos garantir que nossas meninas frequentem as escolas e tenham igualdade de oportunidades para um futuro promissor. Pode parecer estranho a princípio, mas as evidências comprovam que na vida de meninas pobres acesso a absorventes pode significar acesso à educação. Reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo.

Na íntegra: BHAZ
Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

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